O valor da vida humana

Por: Rodolfo Rizzotto - Todo mundo já ouviu falar que a cidade de São Paulo registrou, em determinado dia, mais de 200km de engarrafamento. Porém, ao entrar no site da Companhia de Engenharia de Tráfego da capital paulista nos últimos dias de isolamento social, o registro era de 0km. O mesmo fenômeno aconteceu em outras diversas capitais brasileiras.

Em algumas regiões, a queda no movimento das rodovias chega a 70%. Nas rodovias estaduais de Santa Catarina, onde ocorriam de 15 a 20 acidentes por dia, no dia 22 de março foram registrados apenas 2 acidentes, com uma pessoa apresentando ferimentos leves. No dia 23 de março, foi computado apenas 1 acidente, sem vítima. As vítimas de trânsito não apareceram. E a queda de acidentes liberou leitos nos hospitais onde, normalmente, teríamos pacientes graves e feridos que, às vezes, ficam meses internados. Muitos com invalidez permanente. Além do drama humano, eles representam custo para a previdência.

Ao mesmo tempo, os bombeiros do Brasil inteiro não precisaram transportar milhares de vítimas de acidentes de trânsito nos últimos dias. Policiais não atenderam ocorrências, o rabecão não buscou corpos, não houve necessidade de compra de caixões para chorar pelos mortos. Em um país que registra mais de 40 mil mortes por ano e, pelo menos, 500 mil feridos por ano, reduzir acidentes é fundamental até para que possamos, numa situação tão grave quanto a atual, dispor de leitos e profissionais nos hospitais.

O confinamento em que estamos submetidos em todo Brasil, em virtude do Coronavírus (COVID-19), está mostrando o real tamanho da violência no trânsito. Conseguimos, pela primeira vez, perceber nas estatísticas dos que não morreram e não ficaram feridos nos acidentes que não aconteceram. Anualmente, em todo o mundo, mais de 1 milhão e 300 mil pessoas morrem e 50 milhões ficam feridas no trânsito. Cerca de 250 mil brasileiros recebem indenização do Seguro DPVAT anualmente por invalidez permanente e nunca mais terão uma vida normal. São, principalmente, jovens, que fazem parte do crescimento do país, mas que não poderão colaborar como gostariam.

Paramos o Brasil para salvar vidas, mas quando o país puder andar novamente, quando os veículos tomarem as ruas e as estradas, os pedestres e ciclistas voltarem a circular, esperamos que os brasileiros não esqueçam o quanto é importante salvar vidas e que depende só de nós. O Coronavírus não vai nos vencer, mas poderá curar muitos da doença da falta de respeito pela vida humana no trânsito. (*) Rodolfo Rizzotto, especialista em trânsito e coordenador do SOS Estradas.




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