Liderança estratégica no mercado de seguros diante do novo normal

Em tempos de aceleração digital e trabalho remoto, é fundamental que os colaboradores tenham confiança em seus líderes e os gestores em seus times, sempre ressaltando a importância de cada um para a organização


(*) Por: Stephanie Zalcman - A pandemia da Covid-19 impactou todos os setores da economia. A maioria das empresas tiveram que se adaptar para trabalhar em regime home office, o contato com o cliente e as relações comerciais passaram a ser totalmente online. O modelo de venda e de compra de forma online, além do suporte em cotações através da geração de leads e da integração do banco de dados da empresa passou a ser uma realidade de quem vende e de quem compra, abrindo novas oportunidades para ampliação da contratação de seguros pelo consumidor final, que adaptou o seu comportamento para aderir a esta mentalidade.


A liderança estratégica do “novo normal” precisa compreender de forma clara o cenário como um todo, em especial, da amplitude de causas que estão interligadas a tudo que aconteceu no mundo. O home office impacta a rotina das pessoas em diversos âmbitos, quando a vida pessoal e profissional passou a se conectar. Existe uma série de fatores externos que impactam no bem-estar do funcionário, afetando diretamente a qualidade de seu trabalho, diante disso, o principal desafio da liderança é o de criar um ambiente de trabalho motivador, colaborativo e de apoio à distância. É fundamental que os colaboradores tenham confiança em seus líderes e os gestores em seus times, sempre ressaltando a importância de cada um para a organização.


Ser parte da criação de um “novo normal” é fazer um exercício sob o olhar de gestão de pessoas e de recursos humanos. Diante dessa nova realidade, algumas competências serão mais requisitadas dos gestores. Ter capacidade de se adaptar a diferentes cenários, é uma habilidade fundamental para superar as consequências do “novo normal”. Decisões exigirão mais tato e maior análise para sua tomada final. A criatividade será indispensável para que boas soluções sejam encontradas com agilidade. Os líderes precisarão de calma e flexibilidade para garantir coordenadas mais assertivas. Comunicação clara e assertiva deve ser o pilar desta situação, já que as atualizações são cada vez mais rápidas e constantes. Revisar estratégias e dar segurança aos colaboradores para realizarem suas tarefas, seja através de conversas, treinamentos ou desenvolvimentos individuais, são necessários. Manter a própria motivação e a da equipe é outro grande desafio a ser vencido. A liderança estratégica é fundamental para a condução da equipe e manutenção do funcionamento da rotina empresarial e o mindset, após tantas transformações, deve ser outro.


Com o “novo normal”, deixamos de digitalizar o relacionamento entre empresa e cliente, para digitalizar o relacionamento entre empregador e funcionário. O trabalho à distância aumenta o risco de isolamento, bem como a criação de vícios e problemas devido à má postura, por exemplo. O líder passou a proteger mais seus colaboradores, para que possam se manter focados, prosperarem e assim, entregarem. O impacto na saúde mental é em grande parte, causado pela perda de contato humano.


Não existia um plano para que fossem implementadas estratégias para acompanhar tamanha mudança, assim, as habilidades de liderança se concentraram na empatia e bem-estar dos colaboradores, à medida que transformações e interrupções se tornam o “novo normal”. Ser mais solidário e trabalhar com menos controle e mais confiança é requisito essencial para fazer dar certo. Em meio ao distanciamento social e físico, o líder deve se aproximar, formar equipes mais adaptáveis que consigam trabalhar em conjunto, porém de forma remota, incentivar momentos de troca, experiências e aproximação. A comunicação de forma mais consistente deve-se levar a um momento de conexão e assim, gerar-se um propósito, para que o trabalho, seja a base de um dia a dia de sucesso. Cuidar do pessoal de cada um, querer que vivam mais felizes e saudáveis, faz sentido não só de forma individual, mas também e principalmente, para o desempenho dos negócios.


Principais transformações nos seguros

As consequên¬cias da pandemia impactaram de forma severa o mundo como um todo. O vírus produziu um choque de oferta e de produtos simultâneas, desencadeando inúmeros problemas para as atividades industriais, com reflexos diretos no ramo de seguros, tais como: danos e responsabilidades, eventos, interrupção de negócios, riscos cibernéticos (inclusive em razão da LGPD), proteção patrimonial (seja de ativos como de propriedades), pessoas, vida, saúde, entre outros. Não só isso, o isolamento social fez seguradoras e corretoras acelerarem o passo da transformação digital, estimulando a criação de novas opções de contratação customizadas e adequadas às necessidades individuais dos clientes.


De um lado, novas plataformas de produtos e serviços foram criadas, permitindo aos corretores fazerem transações sinérgicas, seguras e convenientes para o cliente. De outro, a especialização das seguradoras ao criarem modelos de negócio, de distribuição e de desenvolvimento, concluindo uma adaptação de produtos em diversos ramos de seguros. A necessidade do desenvolvimento de novos produtos e serviços, que atendessem a essa nova realidade e as mudanças nos hábitos de consumo, permitiram uma grande transformação a favor deste mercado. Corretores de seguros e seguradoras uniram-se ainda mais, visando oferecer soluções diferenciadas e customizadas a cada perfil de cliente.


Fomos literalmente catapultados entre cinco e 10 anos para o futuro com a transformação digital do “novo normal”. A automação, digitalização e inovação da tecnologia está sendo uma grande oportunidade para a inovação e essa é a palavra-chave para se destacar em qualquer mercado. Os meios digitais se tornaram fundamentais para a sobrevivência dos negócios e a sua transformação fez com que muitas empresas se reinventassem, evoluindo. Neste cenário, a transformação digital tornou-se uma necessidade atualmente, deixando de ser um plano para o futuro e todas estas mudanças serviram para garantir maior eficiência e melhorar a experiência dos usuários.


Algumas vantagens do novo regime de trabalho em casa saltaram aos olhos de empregadores e seus funcionários, ainda que o formato não seja uma unanimidade. Muitas empresas desocuparam seus escritórios, criaram um regime de trabalho híbrido, que deve ser a principal tendência daqui para frente. A maioria das empresas têm relatado uma alta na produtividade durante o home office, proporcionada pela pandemia, desmistificando assim, a possibilidade de se trabalhar, também fora do escritório. Com isso, fica claro que o home office veio de fato para ficar. Porem neste novo cenário, será exigido uma adaptação nas três esferas: empresa, líder e colaborador.


A empresa passa a ser um espaço de integração e de transferência de conhecimento e por isso, os líderes devem ter uma postura de grandes incentivadores onde colaboradores assumirão um papel de protagonistas. Muitas empresas, líderes e colaboradores reverão seus contratos, passando adotar o trabalho remoto pós pandemia, isso porque os benefícios da modalidade são diversos, desde custos, retenção de talentos, produtividade e, em especial, qualidade de vida.


Toda crise traz ameaças próprias, entretanto, também cria oportunidades. Há uma oportunidade real para nos afastarmos de abordagens fixas e soluções padronizadas e assim, reinventarmos o futuro do trabalho, gerando oportunidades para que as empresas o vejam de forma diferente. Nossa capacidade de reconhecer e equipar de forma proativa nossas equipes, não apenas com recursos físicos, mas também com habilidades, mentalidades, comportamentos e valores, será fundamental para garantir uma melhor recuperação.


Com todas essas mudanças, não será possível mais falarmos em voltar ao antigo normal, porque boa parte do comportamento adotado será mantido. A aceleração do mundo digital, a mudança de hábitos, padrões e exigência dos consumidores não tem volta. As relações trabalhistas vão incorporar muito do que foi criado para o período pandêmico. E as empresas que quiserem sobreviver terão de entender esse novo mundo. É preciso consolidar a transição do operacional para o estratégico, fomentando uma atmosfera inclusiva de comprometimento entre colaboradores e empresa, com a execução dos negócios voltada para clientes e colaboradores.


Quando todos em uma organização se alinham com as metas e como chegar lá, a força de trabalho se torna uma equipe e todos ganham, especialmente, os clientes. Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas sim, aquele que melhor se adapta às mudanças.

(*) Por: Stephanie Zalcman é diretora Técnica de Operações e Estruturação da Wiz Soluções em Seguros e embaixadora da Sou Segura (Associação das Mulheres no Mercado de Seguros)