Os dois segmentos estão intimamente ligados, em função do limite que uma empresa pode aceitar de incerteza. Esse produto foi monopólio do IRB - Brasil Re de 1939 até 2007, quando a Lei Complementar 126 abriu o mercado e possibilitou a chegada de novos players.
Hoje o país conta com 75 resseguradoras registradas, sendo seis locais, 23 admitidas (empresa sediada no exterior, com escritório de representação no Brasil) e 46 eventuais (empresa sediada no exterior), segundo a Associação Brasileira das Empresas de Resseguros (Aber).
De acordo com o presidente da entidade, Paulo Pereira, é um mercado de US$ 2 bilhões no Brasil, ou seja, apenas 1% dos US$ 200 bilhões que movimenta no mundo.
É esse potencial que permitirá que dobre de tamanho em três ou quatro anos, segundo ele. "Os indicadores do Brasil estão bons, a perspectiva é de crescimento e de muitas obras a serem executadas. E o mercado de resseguro vai crescer junto com tamanho potencial", afirma Pereira, para quem a presença das 10 maiores resseguradoras do mundo no Brasil sinaliza a preparação do país para a demanda que virá.
"A abertura trouxe empresas globais para o mercado, uma gama maior de contratos de resseguros e melhores preços", diz o membro da Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP), Luiz Roberto Castiglione. Estudo do economista aponta que em 2013 os prêmios de resseguros devem chegar a US$ 5,7 bilhões, o equivalente a 15% do total do mercado.
O diretor de grandes riscos da Allianz Seguros, Angelo Colombo, aponta que atuarem seguro e resseguro é um diferencial de mercado atualmente. "Empresas seguradoras que tem um braço de resseguro conseguem reter mais risco e garantem ao cliente uma segurança maior por congregar todas as pontas do processo." Para o especialista da ANSP, o resseguro ainda tem muito a amadurecer, tendo em vista que somente o IRB tem histórico no setor. "As empresas internacionais ainda tem que conhecer mais a fundo as especificidades do mercado brasileiro."(Fonte: Brasil Econômico)Reclamações crescem com o setor
A expansão do mercado de seguros, principalmente dos massificados, que são vendidos em parceria com redes varejistas, pode ser notada também no aumento das reclamações de consumidores. Pesquisa realizada pela Fundação Procon-SP sobre a modalidade garantia estendida constatou que a maioria dos consumidores que contrataram esse serviço, mais de 70%, não foi informada de que se tratava de um seguro e acreditava que a extensão era do próprio fabricante.
Muitos profissionais liberais e aposentados também contratam o prestamista sem saber que para fazer uso desse seguro é preciso ter carteira de trabalho assinada por no mínimo um ano, diz Valéria Cunha, assistente de direção do Procon-SP.
"A informação é um direito básico do consumidor, mas esse é um mercado relativamente novo. A venda de seguro é feita pelo própriovendedor da loja, que às vezes também não tem informação suficiente sobre o produto", afirma Valéria.
Segundo Maria Helena Bidino, diretora de assuntos institucionais e de resseguro da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização, a entidade aprovou em 2009 um comitê de relações de consumo para averiguar esses problemas e implantar uma série de ações para reduzir o número de reclamações.(Fonte: Brasil Econômico)
Setor se organiza para microsseguro
Enquanto aguardam aprovação da nova lei, empresas vão adequando linguagem, preço e distribuição aos novos produtos
"Pago uns R$ 3 por mês, e minha família tem direito a R$ 20 mil se eu morrer", afirma o farmacêutico Paulo Sergio Silva Redorat, 46 anos, que há três meses contratou uma apólice de seguro de vida. Ele tem motivos para se preocupar: trabalha em uma drogaria em Heliópolis, em São Paulo, a maior favela da América Latina. "Em geral, os seguros são caros. Mas esse eu posso pagar sem problemas", afirma.
Redorat faz parte de um projeto de inclusão financeira que deverá levar um pouco mais de qualidade de vida às classes de menor poder aquisitivo. Trata-se da aprovação da Lei do Microsseguro, ou seja, a regulamentação de uma proteção específica para alguns tipos de riscos cujo pagamento mensal é previsto para caber no bolso da população de baixa renda. Esse processo não tem apenas cunho social.Anova legislação é bastante esperada pelos agentes financeiros.
A previsão é de crescimento no volume de negócios, impulsionado também pelos seguros massificados, já em franca expansão e considerados precursores do modelo de microsseguros no país.
As expectativas dos executivos menos otimistas apontam um crescimento total da participação do setor privado de seguros de saúde, previdência e capitalização de cerca de 30% no médio e longo prazos. O setor arrecadou perto de R$ 112 bilhões no ano passado. As áreas de seguros, previdência e capitalização ficaram com R$ 94,85 bilhões desse total, alta de11% ante 2008.
O potencial de mercado dos microsseguros é de cerca de 100 milhões de pessoas, o número de brasileiros que fazem parte da camada de baixa renda, segundo estimativas da Superintendência de Seguros Privados (Susep). No final da base da pirâmide, são 30 milhões. Os produtos serão semelhantes aos já existentes, mas terão custo, Enquanto aguardam aprovação da nova lei, empresas vão adequando linguagem, preço e distribuição aos novos produtos TEXTO IOLANDA NASCIMENTO Setor se organiza para microsseguro POPULARIZAÇÃO distribuição e linguagem diferenciados para atender às necessidades da população hoje excluída do sistema financeiro, e a mais vulnerável a riscos, conforme a Susep.
"A ideia é preço acessível, apólices simplificadas e com linguagem simples, ter uma cadeia eficiente de distribuição, para que os produtos alcancem essa população, e processos ágeis de indenização", diz Regina Simões, coordenadora do grupo de trabalho de microsseguros da Superintendência.
Os maiores bancos e as principais seguradoras do Brasil afirmam estar preparados para disputar o mercado. Banco do Brasil (BB) e Bradesco, por exemplo, já têm seguros direcionados para as classes de baixo poder aquisitivo em seus portfólios, e esperam apenas a regulamentação para adaptarem produtos e estruturas às novas regras.
"Estamos com tudo pronto e vamos utilizar toda a capilaridade do Banco do Brasil,com presença maciça no país, para uma grande inflexão nesse segmento", afirma Paulo Rogério Caffarelli, vice-presidente de novos negócios do Banco do Brasil, que tem reestruturado sua área de seguros a fim de dobrar, para 24%, a participação no lucro líquido da instituição. O executivo observa que a fatia dos produtos direcionados às classes C,D eE respondem por 10% dos negócios de seguridade do BB, dono de aproximadamente 19% do mercado brasileiro de seguros, previdência e capitalização.
MENOS DE R$ 10 POR MÊS
Eugenio Liberatori Velasques, diretor de Seguros e Previdência do Grupo Bradesco, dizquea instituição optou por não esperar a legislação para explorar o segmento e oferece seguros para as classes mais populares desde 2004. No ano passado, registrou 2,5 milhões de apólices para esse público.Hoje, do número de apólices de seguro de vida do Bradesco, 70% custam menos de R$ 10 por mês. "A regulamentação só vai potencializar uma experiência já vitoriosa", diz Velasques.
O Itaú Unibanco espera a regulamentação.
No entanto, tem um portfólio recheado de produtos com prêmios abaixo de R$ 10 mensais, assim como o Bradesco e o BB. "Da quantidade de segurados,18%da carteira de vida do banco já corresponde ao mercado popular", afirma Aline Coropos, superintendente de produtos do banco.
DESAFIOS A Chubb do Brasil também aguarda a regulamentação.
"Precisamos ver que lei será aprovada", diz Acacio Queiroz, presidente e CEO da companhia, para quem a implantação do microsseguro enfrentará os desafiosdevendas, cobrança e distribuição,que terãoqueter custos muito baixos,compatíveis comos prêmios, para compensar a entrada das empresas no mercado. "Se for nos moldes do seguro popular, o mercado já existe e já tem quase 50 milhões de pessoas.
E a Chubb tem10%desse mercado." "Se a ideia é baratear para possibilitar inclusão, os instrumentos são realmente um grande desafio", acredita Oswaldo Mário de Azevedo, vice-presidente de relação institucional da seguradora SulAmérica.
Ocoordenador do Centro de Estudosem Microfinanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), Lauro Gonzalez, considera importante a lei refletir e ser desenhada considerando- se os modelos de microsseguros já existentes, para que esse mercado não acabe" engessado"apartirdoestabelecimento denormascomoa fixaçãodepreços."Aregulação é importante, mas seria interessante o governo entender a operação na ponta, para nãohaver retrocesso." Para Velasques, do Bradesco, o mercado está engessado atualmentecomapólices de difícil compreensão eumenorme processo burocrático de comercialização que não leva em consideração o foco do consumidor, em especial, das classes excluídas.
"Com menos burocracia, se reduz custos também e a regulamentação do microsseguro prevêumamaior flexibilidade." Regina, da Susep, diz que o plano é simplificar para reduzir custos, tornar os produtos mais baratos e estimular o consumo. "Todos os segmentosdomercado participaram da comissão que levou sugestões à regulamentação e muitas seguradoras já exploram microsseguro no Brasil, sem estar regulamentado.
A ideia é flexibilizar." SEGURO-FUNERÁRIO E DE CRÉDITO Regina explica que a Susep tem todos os estudos de apoio à nova lei preparados, para que esta entre em vigor tão logo seja aprovada pelo Congresso, onde tramita o Projeto3266/ 2008,quedefineosegmento.Mercado e órgãos reguladores esperam a aprovação ainda neste primeiro semestre, com início de implantação previsto para a segunda metade de 2010, quando devem chegar ao mercado os primeiros produtos, prevê a Susep.Comessamodalidade, a população com renda de até três salários mínimos poderá contratar, entre outros tipos ainda a serem definidos, cobertura funerária e seguro de crédito, que garante quitação de dívidas, ou parte delas, em caso de desemprego, invalidez ou morte, não deixando a obrigação aos familiares.
Somente após a aprovação da lei serão definidos, por exemplo, quais os benefícios fiscais para as operadoras,que para atuar no segmento deverão ter divisões específicas e separadas dos negócios de seguros normais.
"A segregação é importante para avaliar onde realmente estão incidindo os benefícios tributários", afirma Regina. A redução detributos é fundamental parabaratear o custo dos produtos. "Está sendo pleiteada uma redução a zero de todos os impostos que incidem nas operações", diz Maria Helena Bidino, diretora de assuntos institucionais e de resseguro da CNSeg.
Seguradoras querem menos burocracia na comercialização e apólices com linguagem mais acessível ao consumidor.(Fonte: Brasil Econômico)